Violência e Evasão Escolar

Escrito por Assessoria Parlamentar

VIOLÊNCIA E EVASÃO ESCOLAR

2017-06-20 Violencia e evasao escolar

Tema: Vinculação entre violência e evasão escolar no ensino médio.

Data: 20/06/2017
Sessão: 163.3.55.O
Hora: 16:20

O SR. ANTONIO BULHÕES / PRB-SP, pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a falta de segurança dentro e fora das escolas é a maior preocupação dos estudantes do ensino médio e provavelmente contribui de modo acentuado para as altas taxas de evasão registradas em todo o País.

A Emenda Constitucional nº 59, de 2009, determinou a obrigatoriedade da educação básica dos 4 aos 17 anos, e aos 17 se espera que o aluno esteja concluindo o ensino médio. Os números mostram, entretanto, uma realidade muito diferente.

Em 2014, cerca de 1,3 milhão de jovens entre 15 e 17 anos estavam fora da escola sem terem concluído os estudos. Em 2015, a taxa de conclusão do ensino médio até os 19 anos de idade (2 anos a mais que o esperado, portanto) ainda ficou abaixo de 60%, mesmo tendo melhorado em relação aos anos anteriores.

O abandono escolar é elevado principalmente no ensino médio, e os especialistas apontam diversos motivos para isso. Recentemente, uma pesquisa do movimento Todos pela Educação, realizada com os próprios alunos, trouxe novas pistas a respeito.

Embora sem tratar especificamente de evasão, a pesquisa, cujas conclusões podem ser encontradas na reportagem do Todos pela Educação Ensino Médio: o que querem os jovens?, ao apurar que atributos os alunos consideram mais importantes e os que veem como menos satisfatórios no dia a dia de suas escolas, acabou por revelar a grande preocupação dos alunos com a violência a que estão sujeitos dentro e fora das instituições.

Para 85,2% dos entrevistados, segurança é o atributo mais relevante de uma escola, seguido de atenção às pessoas com deficiência, assiduidade dos professores e boa infraestrutura.

Já entre os atributos menos satisfatórios oferecidos pelas escolas, segurança aparece em segundo lugar, atrás apenas das aulas de informática.

Surpreendente à primeira vista, na verdade esse estudo espelha o que acontece em quase todo o País. Se a população em geral está exposta à violência, é claro que os alunos do ensino médio igualmente sofrem com ela. Reportagens de jornal, rádio e TV feitas a partir dos dados da pesquisa ouviram vários estudantes que já foram assaltados: eles têm medo de andar nas imediações da escola e saem mais cedo de aulas noturnas para tentar diminuir o perigo.

Dentro dos estabelecimentos, problemas também são comuns: brigas, ameaças e bullying geram um ambiente de medo e insegurança com o qual os alunos precisam conviver.

Sem dúvida, tudo isso afeta a qualidade do ensino, torna a escola um local muito menos apreciado do que deveria ser e desestimula o estudante a levar seu curso até o final. O abandono passa a ser, então, uma alternativa forte, e é grande o número de jovens que preferem deixar de estudar, mesmo comprometendo seu futuro, a continuarem expostos à insegurança.

Tudo isso indica, lamentavelmente, que o problema da educação no Brasil envolve muitos outros aspectos além do processo ensino-aprendizagem, já por si só bastante complexo. Precisamos enfrentá-los como um todo, e com tenacidade, se quisermos realmente preparar um país melhor.

Muito obrigado,

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP