Violência à mulher

Escrito por Assessoria Parlamentar

Violência à Mulher.

Quero expressar, mais uma vez, o meu repúdio à violência contra a mulher. O Brasil tem tradição machista, e já considerou aceitável esse tipo de agressão.

Basta lembrar a grande quantidade de músicas e piadas ofensivas às mulheres, ou aquilo escrito pelo dramaturgo Nelson Rodrigues: que as mulheres normais gostam de apanhar. Não é admissível, porém, em pleno século XXI, perpetuarmos esse lado lamentável da cultura nacional.

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A legislação tem avançado, e os progressos dos últimos anos são visíveis. As delegacias de atendimento à mulher diminuíram o constrangimento de se fazer denúncias a policiais masculinos, muitas vezes mais solidários aos agressores do que às agredidas.

“Um padrão de Escola Pública, melhor que as atuais, especialmente na fase infantil, pode promover mudanças na mentalidade e formar cidadãos menos violentos.”

A Lei Maria da Penha, existente há 9 anos, foi um passo decisivo na tipificação da violência como física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.

Mesmo assim, ainda estamos longe de erradicar a agressividade masculina em relação às mulheres. Estamos longe, também, de erradicar a aceitação passiva dessa violência. Mesmo com os avanços legais, o Brasil continua a ser um dos países mais violentos do mundo para suas cidadãs: companheiras, mães, filhas, sobrinhas, avós, irmãs.

Essas mulheres são vitimadas, em grande parte das vezes, pelos próprios parentes, que costumam se valer da complacência das agredidas, dos familiares e da sociedade.

Quando ocorre uma denúncia, ainda assim há o risco da impunidade.

Seria possível, em uma geração, criar cidadãos menos violentos. Para isso, precisaríamos de escolas públicas melhores do que as que temos hoje. A Educação Pública, especialmente a infantil, é o instrumento mais eficaz para promover mudanças de mentalidade em um País.

Meus amigos, para superarmos a violência contra as mulheres é preciso superarmos nossa tradição machista. Esse tipo de conquista exige abrir mão de algo que faz parte do caráter nacional, como o culto à malandragem.

A igualdade entre os sexos foi talvez nosso mais importante avanço constitucional. Mas nossos costumes ainda são preconceituosos, e precisamos de mecanismos educacionais que eliminem a agressão às mulheres de nossas tradições culturais.

Antonio Bulhões
Deputado Federal / PRB-SP

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