Vacinação contra o HPV

Escrito por Assessoria Parlamentar

VACINAÇÃO CONTRA O HPV

2017-09-05 Vacinação Contra o HPV

Tema: Importância da vacinação de adolescentes contra o HPV (Papiloma Vírus Humano).

Data: 05/09/2017
Sessão: 244.3.55.O
Hora: 11:50

O SR. ANTONIO BULHÕES / PRB-SP, pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, neste pronunciamento, desejo tratar de assunto que, pela seriedade, ainda causa polêmica em algumas instâncias da sociedade.

Questão de saúde pública, a vacinação de adolescentes contra o Papiloma Vírus Humano, o HPV, permanece envolta em preconceitos e má informação.

Dois subtipos do HPV são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero – a segunda causa da morte por câncer entre mulheres – em todo o mundo! Apenas esse indicador é suficiente para derrubar qualquer resistência à vacinação!

As formas de contrair o vírus são as relações sexuais, o contato direto com peles ou mucosas infectadas e o momento do parto. E ele está presente também em outros tipos oncológicos, como câncer de vulva, vagina, ânus, pênis e orofaringe, sem mencionar as verrugas genitais, conhecidas como condiloma acuminado.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), a vacinação é suficientemente eficaz contra quatro subtipos do HPV, atingindo 98,8% de proteção. A chamada vacina quadrivalente é oferecida gratuitamente nos postos de saúde em todo o Brasil.

O público-alvo são as meninas entre 9 e 15 anos de idade e, mais recentemente, ampliou-se a faixa etária dos meninos para aqueles entre 11 e 15 anos no calendário de cobertura vacinal, como mecanismo indireto de proteção do gênero feminino.

Com a mudança, adotada no início deste ano, espera-se o atingimento da meta de vacinação de 80% dos 7,1 milhões de meninos e 4,3 milhões de meninas em todo o Brasil.

Sabendo-se que a resposta imunológica se revela mais expressiva quando a vacina é aplicada até os 15 anos de idade, resta cristalina a importância de envolver toda a sociedade, governos e famílias, no maciço esforço de vacinar garotas e garotos.

Para isso, faz-se necessário derrubar pelo menos dois mitos que se têm interposto às campanhas anti-HPV. O primeiro, o exagero e, quem sabe, má-fé na divulgação dos efeitos colaterais da vacina; o segundo, a “denúncia” de que se está estimulando o precoce início da vida sexual.

Ora, Sras. e Srs. Deputados, tais argumentos não resistem ao mais elementar teste. Relatos médicos apontam que o principal efeito colateral da vacina é a dor no local da aplicação, algo bastante óbvio. Pode haver alguma febre e mal-estar nos primeiros dias após o procedimento, mas a ocorrência de desmaios, quando há, estão realmente associados à ansiedade e ao medo de agulha.

Quanto ao dito estímulo à precocidade na vida sexual, seria bastante ingênuo ignorar que esse período da vida vem se iniciando cada vez mais cedo, independentemente de quaisquer campanhas de vacinação.

Além disso, a vacina contra o HPV não substitui o uso de preservativo para evitar Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) ou gravidez; tampouco descarta a necessidade da realização de exames ginecológicos preventivos, lembrando que restam alguns tipos de HPV sem cobertura vacinal.

Nobres colegas, a administração das duas doses da vacina contra o HPV, com intervalo de 6 meses, é método suficiente para proteger nossos adolescentes do risco de desenvolver câncer. Acredito que isso é razão mais que suficiente para apoiar os esforços do Ministério da Saúde – ecoando as iniciativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) – no sentido de disseminar o programa brasileiro, público, de imunização.

Famílias, que todos os adolescentes sejam por vocês conduzidos a clínicas e postos de saúde, a fim de abraçar a proteção, o cuidado e a saúde plena, enfim, a vida.

Muito obrigado!

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP