Uso de energéticos pelos jovens

Escrito por Assessoria Parlamentar

USO INDISCRIMINADO DE BEBIDAS ENERGÉTICAS PELOS JOVENS

2017-11-21 Uso Indiscriminado de Energéticos

Data: 21/11/2017
Sessão: 348.3.55.O
Hora: 16:46

Tema: Preocupação com o uso indiscriminado de bebidas energéticas pelos jovens. Necessidade de definição de limites seguros para o uso do produto e de ampla conscientização dos consumidores.

O SR. ANTONIO BULHÕES / PRB-SP, pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a preocupação que me faz ocupar a tribuna no dia de hoje é o uso indiscriminado de energéticos pelos jovens, que procuram o efeito estimulante principalmente durante eventos como festas ou shows.

O consumo crescente entre os jovens levou a comunidade científica a buscar formas de avaliar a segurança de sua ingestão.

Extensa revisão de literatura, apoiada pela Organização Mundial da Saúde, aponta a necessidade de maior regulamentação das bebidas energéticas e seus ingredientes e a realização de estudos mais aprofundados para embasar as recomendações de segurança para os consumidores.

As bebidas energéticas são de introdução recente no mercado e procuradas em virtude de seu poder estimulante, que aumenta os níveis de energia e disposição e proporciona melhor desempenho. A cafeína é o componente de destaque.

No mundo, estão sendo relatados números crescentes de efeitos adversos em virtude da ingestão exagerada de cafeína, como taquicardia, arritmias, convulsões, psicose, hipertensão arterial, náuseas e vômitos. Em gestantes, pode levar a parto prematuro ou abortamento.

É contraindicado o uso para aumentar a performance em atividade física ou para atletas. Tem sido apontado que a combinação de energético com esforço físico intenso pode provocar vasoconstrição coronariana e isquemia do miocárdio.

No entanto, o maior risco é a ingestão concomitante de energéticos com bebida alcoólica. O energético evita o surgimento de sinais de embriaguez como depressão, incoordenação motora e embotamento, o que prejudica que a pessoa julgue seu próprio estado. Assim, ela continua a ingerir álcool por muito mais tempo e em maior quantidade.

Nessa circunstância, é claro que se tornam mais graves as consequências da intoxicação alcoólica e dos comportamentos de risco. Tem sido aventada até a possibilidade de a combinação acentuar o desenvolvimento de ideações ou atos suicidas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária disciplina, no que conceitua como bebida energética ou energy drink, as quantidades máximas permitidas de cafeína, taurina, inositol e glucoronolactona. À composição podem ser adicionadas vitaminas ou sais minerais, e ainda guaraná, ginseng ou açaí.

As normas brasileiras determinam a aposição de advertência a respeito do risco de ingestão por crianças, mulheres grávidas, nutrizes e portadores de enfermidades. A recomendação de não misturar energéticos e bebida alcoólica também deve ser enfatizada no rótulo.

Muitas vezes surge o argumento de que a quantidade de cafeína em energéticos pode corresponder à de uma xícara de café. Entretanto, a ingestão da bebida quente é mais lenta, ao passo que o líquido frio introduz rapidamente uma quantidade grande no organismo. Outro ponto é que o teor de cafeína pode variar amplamente entre as diferentes marcas de energéticos. Pior, existem produtos clandestinos e é frequente ocorrer a ingestão de várias unidades em pouco tempo.

Assim, vemos que é preciso precaução para que o consumo não traga risco. É indispensável definir limites seguros para o uso do produto e se proceder à ampla conscientização dos consumidores. Desse modo, teremos a tranquilidade de saber que nossos jovens poderão usufruir do produto de forma responsável, pois estarão apoiados por normas e iniciativas de um país cujo maior objetivo é lhes garantir efetiva proteção.

Era o que tinha a dizer.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP