Tratamento da Cefaleia

Escrito por Assessoria Parlamentar

TRATAMENTO DA CEFALEIA

2017-07-04 Tratamento da cefaleia

Tema: Importância do acompanhamento médico no tratamento da cefaleia.

Data: 04/07/2017
Sessão: 176.3.55.O
Hora: 17:24

O SR. ANTONIO BULHÕES (PRB-SP. Pronunciamento encaminhado pelo orador.)

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, existem neste mundo vários tipos de privilégios. Alguns são mais visíveis, como os baseados na renda, nas posses, na posição social. Outros são menos óbvios, mas são também privilégios, porque desfrutados por poucos, como aquela afortunada e pequena parcela da população que jamais sentiu cefaleia, a tão comum dor de cabeça.

Em pesquisa recentemente realizada pela Academia Brasileira de Neurologia, por meio das redes sociais, nada menos que 97% dos que responderam afirmaram haver sentido dor de cabeça no último ano. Trata-se de Um número semelhante aos encontrados em outras pesquisas do tipo. Contudo, mais preocupante ainda é que, entre os pesquisados, nada menos que 81% admitiram fazer uso de medicamentos sem consultar algum profissional.

De fato, observa-se que, ao longo dos anos, devido à facilidade para comprar analgésicos e outros medicamentos sem prescrição, desenvolveu-se entre nós uma cultura de automedicação, a qual certamente vem causando danos, sobre os quais pouco sabemos, porque uma pesquisa completa e rigorosa consumiria tempo, trabalho e recursos em grande escala.

Que fique bem claro: não se trata de crítica à indústria farmacêutica, à qual devemos a existência dos medicamentos que tratam os milhões e milhões de brasileiros que deles necessitam; tampouco a ideia é denunciar as farmácias, que cumprem indispensável papel social ao levar esses medicamentos aos consumidores; e nem sequer se pretende acusar os 58% de usuários, segundo a mesma pesquisa, que indicam medicamentos para outras pessoas sem ter nenhum treinamento na área de saúde. Estamos todos do mesmo lado aqui. Mas, convenhamos, a situação é séria e merece atenção.

Há, entre os nobres pares, um bom número de médicos e outros profissionais de saúde, que conhecem bastante bem este tema. A aspirina, o paracetamol e a dipirona, em suas muitas apresentações, são os medicamentos mais utilizados para o alívio da cefaleia. São considerados, via de regra, bastante seguros. São, de fato, comparativamente seguros, mas, se nos detivermos em leitura atenta de suas bulas, descobriremos um grande número de efeitos colaterais possíveis, muitos realmente sérios. Assim como devemos tratar com respeito e cautela a energia elétrica, que ilumina e alimenta numerosos aparelhos em nossas casas, sem os quais a vida seria bem mais difícil, também devemos ter prudência em relação ao uso dos medicamentos.

Outro ponto a não se esquecer é que a cefaleia não deve ser encarada como um simples incômodo. Segundo os especialistas, há cerca de 300 causas possíveis. Assim como pode ser causada por uma tensão cervical passageira, a cefaleia pode ser um indício – às vezes, o primeiro sintoma – de uma doença que, se não investigada, tende a agravar-se.

Atualmente, com as transmissões da TV Câmara, nossos pronunciamentos podem atingir um grande número de brasileiros, a quem também me dirijo para enfatizar este ponto: automedicar-se, sem ouvir um médico, é correr riscos desnecessários.

Comecei este pronunciamento dizendo como é um privilégio não sofrer dores de cabeça. Pois bem, o fato é que não precisa ser um privilégio de poucos. As cefaleias, como outros sintomas e doenças, não são uma sentença perpétua: podem ser resolvidas, desde que sejam adequadamente diagnosticadas e tratadas por profissionais competentes.

É passada a hora de combater e reverter o mau hábito da automedicação!

Muito obrigado,

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP