Sensacionalismo nos Veículos de Comunicação

Escrito por Assessoria Parlamentar

SENSACIONALISMO NOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO

2016-11-23-midia-e-crimes-hediondos

Tema: Defesa de moderação, pela mídia, na reprodução de notícias e imagens sobre crimes hediondos.

Data: 23/11/2016
Sessão: 304.2.55.O
Hora: 21:28

O SR. ANTONIO BULHÕES / PRB-SP, pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, neste pronunciamento, desejo fazer uma reflexão acerca de assunto bastante delicado, mas que não pode deixar de ser tratado aqui, na Casa dos representantes do povo.

Desde logo esclareço que meu posicionamento é radicalmente contrário a qualquer ação que lembre censura. Afinal, em ambientes democráticos, o cerceamento à liberdade de informação é ingrediente absolutamente desnecessário. Melhor dizendo, totalmente descabido.

Porém, gostaria de trazer ao debate a firme necessidade de haver moderação, por parte da mídia, quanto à reprodução de notícias que digam respeito a crimes hediondos.

O caráter assaz sensacionalista que os veículos de comunicação imprimem aos pavorosos crimes e aos seus terríveis detalhes, aos perfis dos psicopatas e sociopatas, em alguns casos até atrapalhando o trabalho da polícia e da Justiça pela divulgação atabalhoada de informações, não é capaz de gerar uma única, apenas uma, contribuição para quem quer que seja.

Certamente, os editores midiáticos desconsideram como se sentem os familiares e amigos das vítimas ante a maciça e indiscriminada exposição de fotos e vídeos de corpos, cativeiros, criminosos em ação.

Sob o pretexto de informar – o que é uma das legítimas funções da mídia -, a sociedade acaba sendo exposta não somente à crueza das mentes criminosas, mas também à insensibilidade de jornais e revistas, de emissoras de rádio e TV e, mais recentemente, da Internet.

Então, a solução seria não publicar as notícias, podem alguns contra-argumentar. E isso seria censura. Contudo, não é o que advogo, como acho que deixei bem claro no início deste discurso.

Sugiro apenas que os noticiários – sejam de qualquer viés ou veiculados em qualquer formato – passem as informações pelo indispensável filtro da moderação. Afinal, como isso não tem acontecido, o que poderia ser empregado como alerta para que a sociedade adote maiores cuidados relativos à segurança, acaba se transformando em incitação à criminalidade. Especialmente, Sras. e Srs. Deputados, porque o desfecho das investigações e eventuais punições dos responsáveis pelos crimes não acompanham o tempo do agora, feição tão característica dos meios de comunicação de massa.

Assim, o choque causado pela notícia de um crime hediondo logo é substituído pela notícia de outro, e de outro, e de outro. E apenas esporadicamente se anuncia a solução de um deles.

Apenas para citar, vejam-se os horrores vividos pelas vítimas dos estupros coletivos ocorridos: um caso no Rio de Janeiro, em maio deste ano, e no Piauí, em maio de 2015, e mais três casos, em maio e junho deste ano.

De destacar que, em um dos odiosos vídeos que circularam, de um dos crimes mais recentes do Piauí, os estupradores explicitamente debocharam da possibilidade de prisão.

Eu me pergunto: em que tanta publicidade contribui com a sociedade, com a segurança pública? Quais as reais consequências de tanto sensacionalismo, se não a disseminação de ares de insegurança e, o que é mais grave, de impunidade?

Já se disse à exaustão que, no regime democrático, gerenciado pela interdependência dos três Poderes constituídos – Executivo, Legislativo e Judiciário -, a imprensa configura o Quarto Poder.

Sr. Presidente, nobres colegas, espero contar com apoio ao meu pedido de moderação à mídia brasileira, para o bem de toda a sociedade.

Muito obrigado!

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP