Respeitem-me.

Escrito por Assessoria Parlamentar

Respeitem-me.

Ninguém tem dúvidas no nosso país, que o Brasil vive uma democracia consolidada. O que difere as democracias dos outros regimes de governo é que ela permite aos cidadãos levarem suas ideias em discussão. Isso pode ser feito por representação, por petição ou por manifestação.

As manifestações são assim os meios pelos quais se podem expressar e reivindicar desejos, com objetivo de conquistar-se uma melhor situação. São atos que não passam despercebidos pela população, uma vez que são divulgados e que podem tomar grandes proporções.

Abrem canais para que os representantes do povo tomem consciência das necessidades de alguma parte da população. Isso significa que a democracia é viva e plural.

Foi assim que a democracia brasileira assistiu a parada do orgulho LGBT, ocorrida no último dia 7 de junho de 2015, na Avenida Paulista em São Paulo, sob o tema: “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim: respeitem-me!”.

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“Lutar por conquistas sociais não combina com profanar o que é sagrado. Isso é no mínimo uma apelação irresponsável”.

Seria um movimento legítimo de uma parte da sociedade se, enquanto pedissem reconhecimento social e não ferissem os direitos dos demais. É uma obrigação jurídica de todos respeitar a livre manifestação, mas isso não é um direito absoluto, porque há outros direitos que também merecem respeito.

O que chocou a sociedade, no meio daquela parada, foi a ousadia e o desrespeito com a cultura cristã da nossa sociedade pelo fato de um travesti manifestante, no alto de um trio elétrico, posar de crucificado. Com a maior inocência, justificou que a intenção era comparar a vida dos gays com o sofrimento de Jesus Cristo.

Patética justificativa, porque o símbolo da crucificação do Cristo e a coroa de espinho não eram para expiar os próprios erros. Significou exatamente o contrário. Ele foi morto para salvar toda a humanidade. E a nossa civilização se orienta por esse valor há 20 séculos.

Não se pode aceitar o vilipêndio da nossa cultura e a profanação da nossa fé religiosa, sob o argumento de um pretenso absoluto direito. Este não é absoluto.

Lutar por conquistas sociais não combina com profanar o que é sagrado. Isso foi no mínimo uma apelação irresponsável, mas transmite um profundo egoísmo, por não respeitar os sentimentos e o direito dos outros.

O que vimos na semana que passou foi o desrespeito de quem pretendia exigi-lo. Esse não é um bom caminho para consegui-lo. É de imaginar que a simpatia pela causa venha até diminuir.

Clamo aos líderes do movimento LGBT que se querem mesmo conquistar mais direitos, a principal estratégia é conquistar os corações e a simpatia da maioria. Acho que fizeram o contrário, porque quem quer respeito, antes precisa respeitar. Tratar com irreverência e banalidade símbolos religiosos é a maneira certa para perder a consideração.

A usurpação da parada gay pelos militantes mais intolerantes separa ou cria um abismo entre grupos da sociedade. É um tipo de provocação que não deve ser promovido. Vai de encontro a melhor política de diálogo e discussão.

Antonio Bulhões
Deputado Federal / PRB-SP

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