Perfil dos Professores e a Neutralidade Política

Escrito por Assessoria Parlamentar

PERFIL DOS PROFESSORES E NEUTRALIDADE POLÍTICA

2016-10-05-perfil-dos-professores-e-a-neutralidade-politica

Tema: Crítica ao perfil dos professores brasileiros publicado pela UNESCO e pelo Ministério da Educação sobre o princípio de neutralidade política na atividade docente.

Data: 05/10/2016
Sessão: 243.2.55.O
Hora: 17:10

O SR. ANTONIO BULHÕES / PRB-SP, pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Brasil está no fim da lista, em termos de qualidade de educação no mundo, e a causa disso é a falta de atenção para o que acontece em nossas escolas.

Apenas 9% dos professores consideram que sua tarefa mais importante é transmitir conhecimentos básicos. Um número ainda menor considera mais importante formar para o trabalho.

A grande maioria dos professores, 72%, considera mais importante formar cidadãos conscientes do que transmitir conhecimentos básicos. Mas não se define o que seria essa consciência; um professor pode ensinar antigas ideologias ou até mesmo religiões, e supor que com isso estará conscientizando.

O perfil dos nossos professores, publicado pela UNESCO e pelo Ministério da Educação, revela que 55% discordam de que a atividade docente deve reger-se pelo princípio da neutralidade política. Ou seja, muitos se julgam no direito de propagar suas próprias ideologias nas aulas de História, Matemática ou Português.

Pais e alunos deveriam criticar essa doutrinação. Não se trata de reprimir a opinião alheia, mas de impedir o uso do horário escolar para a propaganda de ideologias dogmáticas.

Quando se perguntou aos professores qual valor é mais importante, a igualdade ou a liberdade, 76% deles responderam que entre elas escolheriam a igualdade. Nenhum problema com essa posição particular, mais à esquerda. É um direito. Não queremos que professores de esquerda ou de direita usem o tempo escolar para fazer proselitismo de suas próprias convicções contra ou a favor das elites, do neoliberalismo e do capitalismo.

Quando os professores fazem propaganda de suas convicções, além de não formarem os cidadãos, também não ensinam o mínimo que deveriam ensinar. Ensinam, muitas vezes, no caso brasileiro, uma mitologia derivada do marxismo, e é por isso que se vê muita gente falando mal das elites, da imprensa burguesa, da democracia burguesa.

Ora, a democracia burguesa é o que de melhor até hoje se inventou na política. Nossos jovens não podem continuar desprezando esse nosso tipo de democracia, que tem seus defeitos, mas é muito superior às alternativas marxistas, como o bolivarianismo, outra tentativa fracassada de construir o suposto verdadeiro socialismo.

Marx era filho de um rabino. Parece que em grande parte de seu trabalho atuou mais como profeta do que como cientista. Previu, por exemplo, o fim da classe média e o aumento do proletariado. O que aconteceu foi justamente o contrário, nos últimos 20 anos a pobreza no mundo caiu pela metade. Marx previu o fim da História, uma espécie de apocalipse do capitalismo, que seria seguido pelo paraíso na terra do comunismo.

Sua concepção do lucro como mais valia é completamente ultrapassada, pois ignora a demanda e o valor adicionado pelo empresário. Suas previsões foram rejeitadas na teoria e na prática, com a morte de centenas de milhões de pessoas na China, Rússia, Coreia e outros países. O comunismo matou muito mais gente, mesmo em tempos de paz, do que o nazismo. Enfim, o marxismo, como o nazismo, é uma curiosidade histórica, e deve ser ensinado como tal. Erra quem trata essas ideologias como soluções válidas para os problemas da humanidade.

Usar apenas o marxismo para explicar o mundo, em pleno século XXI, é inadequado e pernicioso. Quem quiser que faça isso em um ambiente particular, e não numa sala de aula, com uma plateia cativa, que não pode se manifestar. Escola não é lugar para se aprender as preferências ideológicas dos professores. Dogmas não devem ter espaço nas salas de aula. Essa conduta indevida tem impactos graves na formação dos cidadãos e no futuro do País.

É claro que cada um pode ter sua posição política particular e acreditar, como Lula, que a Venezuela tem excesso de democracia. Mas é inadmissível que professores ensinem esse tipo de mentira às crianças e aos jovens.

Quando os professores fazem propaganda de seus pontos de vista políticos ou religiosos fazem o papel de demagogos ou profetas. Mas os profetas e demagogos que pregam pelas ruas não têm uma audiência obrigada a lhes prestar atenção. Imaginem o horror que seria se fôssemos julgados por demagogos e profetas. Essa é a situação vivida por muitos alunos nas escolas brasileiras. E ai daqueles que ousam fazer críticas e pedir aulas com conteúdo não dogmático.

Fazer política em sala de aula trai a confiança do aluno e trai também a ciência. Excesso de opinião e falta de conhecimento objetivo servem apenas para encobrir a incapacidade dos professores ou da escola.

Este o meu apelo: as escolas devem ensinar o que está previsto no currículo, e que hoje é tão mal ensinado. A opinião política não é assunto para ser ensinado, mas para ser escolhido livremente pelos cidadãos, a partir do conhecimento não dogmático que as escolas devem ter em foco.

Obrigado.

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP