O limite é a moral

Escrito por Assessoria Parlamentar

O limite é a moral.

“ Tudo é vaidade! Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? ”

São palavras de Eclesiastes, que, por sua verdade, permanecem eternas. Isto me veio à mente, quando li uma reportagem que indicava que não é só pela crise econômica que as pessoas estão endividadas.

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A matéria destacava uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito que impressiona o nível de irracionalidade das pessoas no mercado. 25% delas disseram que extrapolaram o orçamento apenas para impressionar os outros. Quem se torna escravo da vaidade perde o senso da razoabilidade.

A vaidade não seria um vício se as pessoas a usassem como agente para o aperfeiçoamento. Devemos ter em mente que nem tudo convém.

“O mercado não educa as pessoas para controlar a vaidade e não está vinculado à noção de moral ou de valores. O controle do limite do que e de quanto se pode gastar é inerente a cada pessoa.”

A vaidade humana não está limitada apenas no aspecto beleza. A natureza humana parece querer completar-se com o elogio da inteligência e do talento. Não é ilegítimo buscar o sucesso. Entretanto, é preciso agir com racionalidade.

Uma pessoa dá mais valor a uma joia enquanto outra prefere um carro. Como se diz em economia a pessoa paga por uma mercadoria, mas leva um produto. A pessoa paga por uma joia, mas está levando a satisfação da vaidade.

Deveria o mercado educar as pessoas para controlar a vaidade? O mercado não está vinculado à noção de moral ou de valores. Se o mercado livre não pode orientar sobre o limite de cada um é porque esse conhecimento é inerente a cada pessoa. Cada um sabe o que e quanto pode gastar.

O que evita as pessoas de serem tragadas pelo consumismo é uma saudável moral individual. Se ninguém é obrigado a gastar metade do salário em uma roupa ou em festas com os amigos, então somente a moral pessoal pode limitar o desejo de consumir além das posses.

A moral de cada um não surge do nada. Os valores permanentes são formados por um conjunto de mensagens que se recebe, principalmente, da família. É preciso educar os filhos que mesmo quando muito se pode, nem tudo convém.

Os pais devem ensinar os filhos, pequenos e adultos, que equilíbrio financeiro é um problema não só para países com inflação alta. É um problema que afeta qualquer pessoa.

Vivemos um período de crise. É preciso prudência e poupar; é preciso consumir com racionalidade, porque nós não estamos garantidos no nosso emprego e nem o nosso salário tem capacidade infinita. Temos que cultivar o limite moral da vida. É preciso cultivar o valor moral da prudência.

Antonio Bulhões
Deputado Federal / PRB-SP

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