Luta contra a dengue

Escrito por Assessoria Parlamentar

LUTA CONTRA A DENGUE

Tema: Pesar do orador com o aumento do número de casos de dengue no País. Importância do engajamento da sociedade na luta contra o mosquito Aedes aegypti.

2015-04-28surtodadengue

Data: 28/04/2015
Sessão: 087.1.55.O
Hora: 16:56

O SR. ANTONIO BULHÕES / PRB-SP, pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é triste reconhecer isto, mas parece que uma nova e indesejada tradição está sendo criada em nosso País. A cada verão tem se repetido a ocorrência de surtos de dengue, que atingem número crescente de pessoas, em diversos Estados brasileiros. E, dada a sua periodicidade, tais surtos já podem ser tecnicamente elevados à nada honrosa categoria de epidemias.

Só nos últimos 3 meses, foram registrados mais de 460 mil casos da doença, o que representa um acréscimo de 240% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Como era de se esperar, as mortes decorrentes de complicações dessa enfermidade também aumentaram – quase 30%. Praticamente todas as regiões têm sido afetadas, em maior ou menor grau.

Infelizmente, meu Estado, São Paulo, concentra mais da metade dos casos e 75% dos óbitos até agora contabilizados. Alguns especialistas atribuem esse quadro ao fato de a população paulista ter tido, até então, menor contato com o vírus e, portanto, ser mais vulnerável que a dos outros Estados.

Ainda que plausível, essa tese não contribui para reduzir minha preocupação com o assunto. Especialmente, quando constato que 511 Municípios, em vários pontos do País, apresentam índices epidêmicos, segundo parâmetros estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde. Em sua maioria, são pequenos e, por isso, não dispõem de recursos para adotar as necessárias medidas de prevenção contra a dengue.

Mesmo essa falta de recursos, de resto, observada em quase todas as áreas de atuação do poder público, não pode ser aceita como principal justificativa para a situação ter chegado ao ponto que chegou. Nem seria razoável tentar atribuir papel relevante, na intensificação do problema, aos fatores climáticos.

É sabido que, no verão, devido à maior frequência de chuvas e ao resultante acúmulo de água, o mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, encontra ambiente ideal para a sua proliferação. É notório também que o poder público vem negligenciando, e não é de hoje, suas obrigações relativas ao saneamento básico e à vigilância em saúde.

Embora essas duas condições sejam necessárias, talvez não sejam suficientes para explicar a maciça propagação da dengue no Brasil nos últimos tempos. Estudos comprovam que grande parte das contaminações se dá dentro das casas, evidenciando, assim, que todos nos devemos engajar no combate a esse mal. Nesse sentido, talvez até seja nossa a maior parcela de responsabilidade na aplicação de medidas profiláticas.

Contrariando o dito popular segundo o qual é inútil colocar tramela depois de a porta ter sido arrombada, o Ministério da Saúde anunciou a liberação de recursos adicionais para Estados e Municípios, com o intuito de conter o brutal avanço da doença neste ano. Com o mesmo objetivo, o Governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, afirmou que vai mobilizar uma equipe de médicos e agentes de saúde, além de disponibilizar atomizadores, veículos e a experiência do renomado Instituto Adolfo Lutz. Antes tarde do que nunca!

Mas nós não precisamos esperar que as diversas esferas de governo comecem a agir, para fazermos a nossa parte. Graças às campanhas de esclarecimento veiculadas pela imprensa, todos sabemos como erradicar os criadouros do mosquito. Bastam alguns minutos, a cada dia, para eliminar possíveis pontos de acúmulo de água em latas, embalagens, vasos de plantas, pneus velhos, caixas d’água, lixeiras e outros, onde a larva do Aedes aegypti possa se desenvolver.

Portanto, vamos nos comportar como cidadãos conscientes, empenhando nossos melhores esforços na luta para acabar com essa praga, que tanto mal tem causado ao Brasil.

Muito obrigado.

Sala das Sessões,

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP