Escola sem Partido

Escrito por Assessoria Parlamentar

ESCOLA SEM PARTIDO

Meus amigos, o Brasil está no final da lista, em termos de qualidade de educação no mundo, e a causa disso é a falta de atenção para o que acontece em nossas escolas.

Apenas 9% dos professores consideram que sua tarefa mais importante é transmitir conhecimentos básicos. Um número ainda menor considera mais importante “formar para o trabalho.

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“Professores que fazem propaganda de suas convicções religiosas e políticas em sala de aula, com uma audiência obrigada a lhes prestar atenção, deixam de ensinar o mínimo que deveriam e não formam os cidadãos.”

A grande maioria dos professores, 72%, considera mais importante “formar cidadãos conscientes” do que transmitir conhecimentos básicos. Mas não se define o que seria essa consciência; um professor pode ensinar antigas ideologias ou até mesmo religiões, e supor que com isso estará conscientizando.

O perfil dos nossos professores, publicado pela Unesco e pelo Ministério da Educação, revela que 55% discordam de que “A atividade docente deve reger-se pelo princípio da neutralidade política”. Ou seja, muitos se julgam no direito de propagarem suas próprias ideologias, nas aulas de história, matemática ou português.

Pais e alunos deveriam criticar essa doutrinação. Não se trata de reprimir a opinião alheia, mas de impedir o uso do horário escolar para a propaganda de ideologias dogmáticas.

Não queremos que professores de esquerda ou de direita usem o tempo escolar para fazer proselitismo de suas próprias convicções contra ou a favor das elites, do neoliberalismo e do capitalismo.

Quando os professores fazem propaganda de suas convicções, além de não formarem os cidadãos, também não ensinam o mínimo que deveriam ensinar.

Quando os professores fazem propaganda de seus pontos de vista políticos ou religiosos, fazem o papel de demagogos ou profetas, respectivamente. Mas os profetas e demagogos que pregam pelas ruas não têm uma audiência obrigada a lhes prestar atenção, como acontece em uma sala de aula.

Fazer política em sala de aula trai a confiança do aluno e trai também a ciência. Excesso de opinião e falta de conhecimento objetivo servem apenas para encobrir a incapacidade dos professores ou da escola. Este, o meu apelo: as escolas devem ensinar o que está previsto no currículo, e que hoje é tão mal ensinado. A opinião política não é assunto para ser ensinado, mas para ser escolhido livremente pelos cidadãos.

Antonio Bulhões
Deputado Federal / PRB-SP

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