Educação Financeira

Escrito por Assessoria Parlamentar

EDUCAÇÃO FINANCEIRA

Tema: Importância da educação financeira para poupança e garantia do futuro. Necessidade de cultivo do valor moral da prudência.

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Data: 16/02/2016
Sessão: 005.2.55.O
Hora: 18:10

O SR. ANTONIO BULHÕES / PRB-SP, pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados,”Tudo é vaidade! Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol?” São palavras de Eclesiastes, que, por sua verdade, permanecem eternas. Isto me veio à mente, quando li uma reportagem que indicava que não é só pela crise econômica que as pessoas estão endividadas.

Que proveito pode buscar o homem em um mundo de tantas mercadorias e oportunidade? A matéria destacava uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito, que impressiona o nível de irracionalidade das pessoas no mercado. Delas, 25% disseram que extrapolaram o orçamento apenas para impressionar os outros. Quem se torna escravo da vaidade perde o senso da razoabilidade.

Desde Aristóteles que se sabe estar a virtude no meio. A vaidade não seria um vício se as pessoas a usassem como agente para o aperfeiçoamento. Mas como buscar o proveito sem deixar o vício prevalecer? Devemos ter em mente que nem tudo convém.

A vaidade humana não está limitada apenas no aspecto beleza. A natureza humana parece querer completar-se com o elogio da inteligência e do talento. Não é ilegítimo buscar o sucesso. O homem não vai despender esforço e talento para perder. Entretanto, é preciso agir com racionalidade.

A ciência econômica já identificou que a psicologia do homem paga pela mercadoria para levar um produto. Um produto é um conjunto características de utilidade, beleza e prazer que dão valor às mercadorias no mercado.

Isso não é um pecado. Isso é a consequência da diferença entre os homens. Uma pessoa dá mais valor a uma joia, enquanto outra prefere um carro. Como se diz em economia, a pessoa paga por uma mercadoria, mas leva um produto. A pessoa paga por uma joia, mas está levando a satisfação da vaidade.

Deveria o mercado educar as pessoas para controlar a vaidade? O mercado não está vinculado à noção de moral ou de valores. Se assim fosse, não existiria comércio de drogas nem de peles de animais, porque droga é crime e matar animais para tirar a pele é imoral.

Se o mercado livre não pode orientar sobre o limite de cada um, é porque esse conhecimento é inerente a cada pessoa. Cada um sabe o que e quanto pode gastar. O que evita as pessoas de serem tragadas pelo consumismo é uma saudável moral individual. Se ninguém é obrigado a gastar metade do salário em uma roupa ou em festas com os amigos, então somente a moral pessoal pode limitar o desejo de consumir além das posses.

A moral de cada um não surge do nada. Os valores permanentes são formados por um conjunto de mensagens que se recebe, principalmente, da família. Esses valores formados no lar e na comunidade é que contêm a vaidade e a ambição excessiva. É preciso educar os filhos no sentido de que,mesmo quando muito se pode, nem tudo convém.

Esse grande valor é a prudência. O prudente sabe que nada está garantido, que é preciso preservar-se para os momentos de dificuldades, como o que agora o Brasil atravessa. Os pais devem ensinar os filhos, pequenos e adultos, que desequilíbrio financeiro é um problema não só para países com inflação alta. É um problema que afeta qualquer pessoa.

Vivemos um período de crise. É preciso que as famílias atentem para o fato de que o futuro nunca está garantido. O sentido moral de não sabermos a hora de Deus nos chamar é para que sejamos sempre prudentes.

No mundo material é o mesmo princípio. É preciso prudência; é preciso poupar; é preciso consumir com racionalidade, porque nós não estamos garantidos no nosso emprego, nem o nosso salário tem capacidade infinita. Temos que cultivar o limite moral da vida. É preciso cultivar o valor moral da prudência.

Muito obrigado.

Sala das Sessões,

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP