Educação e Instrução

Escrito por Assessoria Parlamentar

Educação e Instrução

Tema: Repúdio à prática de trote estudantil violento. Necessidade de distinção entre educação, de responsabilidade dos pais do indivíduo, e instrução, de competência da escola.

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Data: 03/03/2015
Sessão: 019.1.55.O
Hora: 16:52

O SR. ANTONIO BULHÕES / PRB-SP, pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, famílias e jovens de todo o Brasil e, em especial, cidadãos do Estado de São Paulo, a quem tenho imenso orgulho de representar aqui nesta Casa, quero falar hoje sobre três assuntos: trote estudantil, educação e instrução.

O trote estudantil é uma prática funesta que fomenta apavorantes notícias de lesão corporal ou até de morte de estudantes, vítimas desse tipo de violência gratuita.

Muitas pessoas não sabem, mas um simples trote pode se tornar algo grave para quem o pratica e aterrorizante para quem dele é vítima. As consequências jurídicas desse ato podem levar seu autor a praticar, por dolo ou culpa, diversos crimes previstos no Código Penal, tais como, homicídio, lesão corporal, injúria grave, constrangimento ilegal, ameaça etc.

No início deste mês, como sói acontecer a cada começo de semestre, os noticiários registraram a prática de mais trotes violentos, desta vez ocorridos no Município de Adamantina, distante cerca de 500 quilômetros da cidade de São Paulo.

Um estudante de 18 anos corre o risco de perder a visão do olho esquerdo e outra aluna, de 17 anos, teve as pernas queimadas por causa dos trotes violentos ocorridos no interior paulista.

Segundo consta nos noticiários, um grupo de alunos veteranos obrigou os novatos a organizarem-se em filas e jogou neles um líquido ácido, provocando-lhes diversas queimaduras.

Como pai de família, antes mesmo de falar como Parlamentar, registro aqui meu total repúdio a esta prática atroz que remonta à Idade Média. Trata-se de um ritual de passagem às avessas que se vale de atos de zombaria e de imposição de tarefas a que veteranos sujeitam os novatos nas universidades.

Não há razão para a prática de tais atos, senão a perpetração da violência gratuita e o desrespeito às leis. O indivíduo em multidão parece se comportar de modo covarde o suficiente para fazer coisas inimagináveis de serem feitas caso estivesse sozinho.

Ao analisar essa situação, é possível deduzir que fatos como esses ocorrem porque a sociedade está cometendo erros por não perceber a diferença entre instrução e educação.

Muitos pais encaminham seus filhos para a escola, acreditando que essa instituição os educará. E é aí que eles se enganam gravemente, pois a missão da escola não é a de educar, mas, sim, a de instruir.

Educação, senhoras e senhores, aprendemos em casa e não podemos delegá-la à escola pela simples razão de que o aluno é transitório, mas o filho é para sempre. A educação de um indivíduo ocupa todo o tempo de sua vida e é resultado de um trabalho árduo, em conjunto com a família, a escola e a sociedade.

Não há razão, portanto, para ficar a cargo somente da escola a tarefa de educar a criança. Essa incumbência pertence à família, cuja obrigação é semear nos filhos os princípios da verdade, do respeito e do caráter. É essa educação, senhoras e senhores, que lança as boas sementes ao solo, que faz crescer a árvore sã, a qual dará, a seu tempo, os bons frutos. E são desses bons frutos de que a sociedade precisa.

O verbo instruir, por seu turno, parece-me parente do verbo construir. Quando se constrói, colocam-se, um a um, os tijolos necessários para a formação do edifício. Assim é que se faz com a instrução de uma criança, colocando-se, um por vez, cada tijolo do conhecimento, dos princípios da ciência, da informação e do saber. Esta, sim, é a tarefa da escola.

Por isso, uma vez entendidas as importantes diferenças entre educar e instruir e, bem assim, a quem incumbe cada uma dessas obrigações, fica claro que a sociedade precisa repensar a forma como cuida de nossas crianças.

E, repensando, é preciso que as famílias tomem para si, verdadeiramente, a tarefa de dar às crianças a educação que constrói o caráter e faz inexistirem atos de barbárie como esses trotes insanos que machucaram gravemente os jovens estudantes de São Paulo.

Para encerrar, senhoras e senhores, deixo aqui registrada uma reflexão, inspirada na Bíblia Sagrada, que diz que, se ensinarmos a criança no caminho por onde deve andar, até quando for idosa, não se desviará dele.

Muito obrigado.

Sala das Sessões,

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP