Diversidade de Gênero

Escrito por Assessoria Parlamentar

DIVERSIDADE DE GÊNERO

Tema: Ceticismo do orador acerca do conteúdo de matéria da revista Veja a respeito da diversidade de gênero nos tempos modernos.

2016-02-23-diversidade-de-genero

Data: 23/02/2016
Sessão: 011.2.55.O
Hora: 17:18

O SR. ANTONIO BULHÕES / PRB-SP, pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, vivemos um mundo em que quase todo dia surge uma novidade. Graças à velocidade da tecnologia, parece que as pessoas já não vivem no tempo presente. Tudo é mudança e expectativa de progresso, a ponto de não se perceberem os valores sociais que nos trouxeram até aqui.

Os “antenados” do mundo moderno vivem a idealização de um tempo como o dos bons filmes de ficção. A diferença é que, quando assistimos a um filme, nós o fazemos por recreação. Já os antenados idealizam a imagem para nos incluir nela.

Fico a pensar quão profetas eles se acham. Decretam novos comportamentos sociais como se tivessem a chave da porta do futuro que mostra as novidades ainda ocultas para os simples tocadores da vida.

Não sei se é falta de modéstia ou de cuidadosa análise histórica. Como já disse um filósofo do século XX, não existe nada nos tempos modernos que já não tenha sido pensado pelos gregos antigos.
Essa foi a primeira ideia que tive quando li a matéria da revista Veja intitulada Amigues para Sempre. Terminei a leitura sentindo que vivia em um mundo que não tem um passado, um mundo formado por uma mente moderna, que apaga o resultado da contínua interação ao longo da história.

Nesse admirável mundo novo da matéria, que diz não existir mais os dois sexos, descobri a existência de uma geração Z, uma geração moderna, porque é formada por pessoas que não se importam de ter um sexo definido. Também aprendi que a matéria define como binários aqueles que ainda usam o termo “masculino e feminino” quando se referem às pessoas. Pelo menos isso me deixou aliviado, porque, se somos binários, temos maior propensão a ser bípedes.

Fiquei sabendo que, no magnífico novo mundo da geração Z, serão ultrapassadas as desinências de gênero nas palavras, porque a natureza humana não mais precisará ser um sistema binário de homem e mulher. As pessoas da nova geração poderão sentir-se bissexuais, transexuais, homossexuais e até heterossexuais.

A matéria apresenta o novo futuro pela decisão da direção do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, de suprimir as desinências de masculino e feminino dos cabeçalhos das provas e substituir as palavras “aluna” e “aluno” por “alunx”.

O surpreendente na matéria é que ela afirma a chegada do novo mundo a partir do conceito de determinismo histórico. Quando ela diz que a novilíngua nas escolas pode não durar, mas o que sinaliza veio para ficar, o que faz é usar o velho e refutado determinismo para induzir a certeza do futuro que chega.

Às vezes, a certeza é pouco cuidadosa. Como resgatar o determinismo ascético se há exemplos de videntes sociais que perderam a credibilidade quando o futuro idealizado não se provou? É o caso da emenda constitucional que reconhece a união estável. Os videntes da época alarmaram que a emenda iria destruir a instituição do casamento. Entretanto, o que se viu foi que os pedidos de registro de casamento não diminuíram. Em alguns lugares até aumentaram.

São por esses questionamentos que um pensamento cuidadoso e conservador permanece atual. Os conservadores não acham producente contestar os valores que sobreviveram ao teste do tempo da civilização.

Depois de ler esse libelo de um pensamento desejoso, surge-nos o ceticismo. Somos céticos a respeito de teses que não põem em dúvida mudanças de comportamento da natureza humana, como se isso fosse simples, como se fosse uma troca de roupa.

A civilização que chegou até aqui também viu algumas teses pseudocientíficas que alegavam a superioridade de uma raça ou que pregavam a revolução de uma classe serem sepultadas. Elas foram derrotadas por não darem importância à tradição dos séculos.

Se os brasileiros sensatos já viram todas aquelas ideologias florescer e decair, como podem acreditar que agora não mais haverá diferença sexual entre as pessoas? A partir dessas e outras teses, os conservadores alertam para que se preze a razoabilidade das ideias. Como disse aquele sábio daquela velha Grécia, a virtude está no meio.

Muito obrigado.

Sala das Sessões,

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP