Críticas ao Banheiro Público de Uso Comum

Escrito por Assessoria Parlamentar

CRÍTICA À SUGESTÃO DE CRIAÇÃO DE BANHEIRO PÚBLICO DE USO COMUM POR HOMENS E MULHERES.

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Tema: Crítica à sugestão de criação de banheiros públicos de uso comum por homens e mulheres. Defesa de culto das tradições e dos valores familiares.

Data: 30/11/2016
Sessão: 315.2.55.O
Hora: 16:58

O SR. ANTONIO BULHÕES / PRB-SP, pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a odisseia percorrida pela nossa civilização até os tempos atuais pode ser vista também como um caminho pelo qual o espaço de convívio entre as pessoas partiu do ambiente protegido pela família para as inter-relações sociais nas cidades.

Nos tempos antigos, a relação familiar não estava vinculada ao ato do nascimento, mas ao culto aos antepassados que se professava nos lares. Para os antigos, lar não era a casa onde a família vivia, mas o local onde os deuses da família eram adorados. Numa época antes de Cristo, Platão dizia ser o parentesco a comunidade dos mesmos deuses domésticos.

Expandindo-se as famílias, chegou-se às tribos e finalmente às cidades. Mesmo assim, as tradições formadas não foram abandonadas. A cidade era a associação religiosa e política das famílias e das tribos. A urbe era o lugar de reunião, o domicílio e também o santuário da cidade, como apresentado pela obra A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges.

Isso nos dá uma ideia de que a noção de privacidade não é sinônimo de isolamento ou de um egoísmo medroso. A lógica da privacidade guarda um sentido de pertencimento religioso, que formaria os costumes da cidade. Existia também, como hoje, vida comum nas cidades, principalmente para discutir os problemas comuns de todos, como são exemplo os debates que ocorriam nas assembleias da Grécia antiga ou de Roma.

Nem só para debates políticos as pessoas se encontravam nos espaços públicos das cidades romanas. Elas podiam encontrar-se nos locais de alívio. Embora Roma tivesse como trazer água até as cidades, o esgoto era despejado em qualquer lugar. Com a finalidade de tornar o ambiente da cidade mais higiênico, foram construídas latrinas públicas, onde as pessoas resolviam os apertos.

Esse tipo de serviço público não era gratuito. Era cobrada uma taxa de quem usava a latrina. A resposta do Imperador Vespasiano à contestação moral do seu próprio filho pela cobrança da taxa é um brocado jurídico usado até hoje. O filho do Imperador questionou como era possível cobrar das pessoas pelo uso daquele lugar, quando compareciam em tão constrangedora situação. Vespasiano respondeu: pecunia non olet. Ou seja, dinheiro não tem cheiro.

Foi a imagem da constrangida reclamação do filho de Vespasiano que me veio à mente quando vejo ser discutida a modernosa ideia de criar banheiros públicos que podem ser usados ao mesmo tempo por homens e mulheres.

Não entro na ideia de que o homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe, como justificativa para o uso comum dos banheiros públicos. Bastaria a ideologia de gênero e a tolerância ser ensinada nas escolas para que a violência se tornasse irrelevante.

O que me impressiona é que esse “muderno” progressismo não é mesmo um progresso, é uma proposta regressista ao tempo da Roma antiga, e reacionária à privacidade que o contínuo progresso da civilização proporcionou às pessoas.

Assusta-me a falta de bom senso desses ideólogos, que pretendem destruir o pudor das pessoas, formado com a educação que recebem das próprias famílias. Considerando-se que, naquela época de Roma, o Direito ainda tolerava a ideia do olho por olho, dente por dente, será que ainda assistiremos à defesa do linchamento como um meio de legítima defesa quando praticado por vítimas sociais?

Essa é uma típica política destruidora, que os progressistas insistem em praticar, sem ter ideia do que fariam para não aumentar a insegurança das pessoas. O progressismo está sempre pronto a destruir o bom senso da tradição, formado ao longo do tempo de muitas idas e vindas de ideias.

Como podem imaginar essa política se as famílias já não têm segurança, quando as filhas voltam sozinhas do trabalho ou escola para casa? Elas têm medo porque sabem que as filhas podem encontrar um delinquente muito mais forte na rua escura sem polícia. Será que o pai ficaria tranquilo se a esposa ou a filha entrassem em um banheiro de cinema ou de um centro comercial?

Ideologia progressista quase nunca é progresso. Tornar os banheiros públicos de uso comum para homens e mulheres é um regressismo intelectual que o bom senso da mais humilde pessoa imagina ser piada. A pessoa humilde pode não ter estudo, mas sabe por instinto ou pelo bom senso da tradição o que é perigoso nas cidades.

Muito obrigado.

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP