Crise Hídrica

Escrito por Assessoria Parlamentar

CRISE HÍDRICA

Tema: Crise hídrica no País, especialmente no Estado de São Paulo. Empenho da população paulistana no racionamento de água.

2015-05-13crise-hidrica

Data: 13/05/2015
Sessão: 106.1.55.O
Hora: 16:20

O SR. ANTONIO BULHÕES / PRB-SP, pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em consequência da crise hídrica que atinge vários Estados e, mais dramaticamente, São Paulo, o uso racional da água tem sido constantemente discutido, seja pelos órgãos públicos, seja pelo cidadão em seu dia a dia, seja aqui nesta Casa, por meio de discursos, projetos e audiências públicas.

O fato é que, mesmo após o período chuvoso dos últimos meses, os sistemas de abastecimento continuam em situação crítica. As medições feitas diariamente indicam que o Sistema Cantareira opera com cerca de 15% de sua capacidade. A captação nesse sistema, que antes da crise era de 32 mil litros de água por segundo, está hoje em cerca de 15 mil litros por segundo. Para que não seja necessário utilizar a segunda cota do volume morto, outros reservatórios têm sido requisitados, como o Guarapiranga, na zona sul, e o Alto Tietê, no extremo leste.

O problema, claro, é que esses sistemas também têm apresentado diminuição em seus volumes. Além disso, quanto maior a distância entre o reservatório e o consumidor, menor a qualidade da água. Embora soluções como a transposição de água entre os sistemas sejam úteis e já estejam em andamento, nada é mais importante e mais eficaz para recuperar os mananciais e reservatórios de água do que a redução do consumo.

Foi com essa consciência que a população de São Paulo se mostrou engajada e disposta a fazer sua parte para enfrentar e reduzir a crise. De acordo com os dados da SABESP, 85% dos condomínios da Região Metropolitana de São Paulo diminuíram seu consumo de água após o início da crise.

Para incentivar ainda mais a economia, o Governo de São Paulo criou um programa de bônus na conta para aqueles que reduzissem o consumo em mais de 20%. Não é uma meta fácil, mas, com o esforço dos moradores, cerca de um terço dos edifícios da Região Metropolitana tem conseguido alcançar a meta dos 20% de economia.

São resultados como esses que nos enchem de esperança nos momentos difíceis.

É preciso enaltecer e exaltar a consciência coletiva demonstrada em casos como o do edifício onde moro, no bairro de Brooklin Novo, São Paulo. Como morador, pude participar do processo de conscientização ocorrido ali.

Acompanhei de perto a forma como os condôminos se dispuseram a aprender e a ensinar métodos de economizar água. Sobretudo, admiro a forma como se dispuseram a participar desse esforço conjunto e solidário. Todos os que moram ou já moraram em um condomínio sem medidores individuais de consumo sabem que a sensação de responsabilidade individual diminui, e como é fácil se entregar à noção de que não é possível promover qualquer mudança. Pois bem, a cidadania e a solidariedade dos moradores do meu condomínio fizeram com que a meta de economia do consumo de água fosse superada já por três vezes, duas delas consecutivas.

Com medidas simples como diminuir o tempo no banho, fechar a torneira ao escovar os dentes, deixar a louça de molho antes de lavar, e tantos outros pequenos gestos que fomos aprendendo ao longo desses últimos meses, foi possível economizar uma quantidade expressiva de água e contribuir com o nosso quinhão para a mitigação da crise hídrica enfrentada pelo Estado. Ao mesmo tempo, criou-se um ambiente de colaboração e de consciência que foi capaz de mudar a forma como cada morador se relaciona com o próprio consumo.

Com o desejo de que esse exemplo de cidadania se multiplique por outras comunidades da cidade, do Estado e de todo o País, expresso a minha felicidade em ter podido fazer parte dessa valorosa mudança e rendo minha homenagem a cada um dos habitantes de São Paulo que tem contribuído com seu esforço pessoal para o bem da coletividade.

Muito obrigado!

Sala das Sessões,

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP