Crise Econômica

Escrito por Assessoria Parlamentar

CRISE ECONÔMICA

Tema: Preocupação com possível retrocesso de conquistas sociais brasileiras ante o prolongamento da crise econômica no País. Defesa de formalização de pacto de união nacional.

2016-04-12 CriseEconomica

Data: 12/04/2016
Sessão: 078.2.55.O
Hora: 18:54

O SR. ANTONIO BULHÕES / PRB-SP, pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no bojo da maior crise política da história da República, o aprofundamento da crise econômica tem-se tornado a maior fonte de apreensão do cidadão brasileiro.

Paralisada, marcada por índices cada vez mais negativos e ainda exposta à implacável desconfiança do mercado internacional, a economia brasileira mostra sua face mais imediatamente ameaçadora, a que aponta para o retrocesso das conquistas recentes, que permitiram o aumento do consumo e da qualidade de vida, para a volta a patamares inaceitáveis de desigualdade social. Destaco o mais grave dos problemas: os números crescentes do desemprego. Nos últimos 12 meses, contados até novembro passado, foram perdidas cerca de 1,5 milhão de vagas formais no País.

A perspectiva não é boa. De acordo com relatório da Organização Internacional do Trabalho – OIT, o Brasil terá em 2016 uma das maiores altas no número de desempregados entre os países emergentes. Ainda segundo o relatório, de 7,7 milhões de desempregados em 2015, alcançaremos 8,4 milhões este ano, o que significa que, entre 2016 e 2017, praticamente um entre cada cinco novos desempregados no mundo estará no Brasil.

Não bastassem as pressões do mercado internacional, o ambiente interno, castigado pela recessão, força o aumento das demissões em todos os setores produtivos. A retração na atividade econômica, mais visível no fechamento de portas de um sem-número de pequenos e médios empreendimentos em todo o País, atingiu de início os empregos da indústria em geral, especialmente a construção civil, mas repercute agora também no comércio e no setor de serviços. Por outro lado, além da significativa redução do valor dos salários, determinada pela oferta maior de mão de obra, verifica-se o aumento do nível do emprego informal, e mesmo do trabalho infantil, que volta a ser exigido nas famílias para compensar um orçamento doméstico cada vez menor.

Além da diminuição do consumo, que desde o ano passado já esbarra em itens de primeira necessidade, como alimentos, remédios, bebidas, produtos de limpeza e higiene pessoal, o cidadão depara com a impossibilidade de pagar despesas essenciais, como aluguel ou mensalidades escolares. No melhor dos casos, pode-se recorrer à poupança, mas, no quadro geral, já não se evitam a inadimplência e os endividamentos.

Um dos aspectos mais cruéis da crise econômica, resultante do problema fiscal, revela-se na ausência de investimentos públicos nas áreas de saúde e educação. Escolas e hospitais sucateados não atendem às necessidades básicas da população. Além da espera interminável por atendimento médico, que configura pauta constante do noticiário nacional, já se verifica o aumento progressivo de demanda por vagas na rede pública de ensino, em consequência do alto valor das mensalidades das escolas particulares.

Sr. Presidente, não dúvidas de que vivemos um quadro assustador. Todos percebemos que se trata de um conjunto de problemas estruturais, para os quais não se vê solução no curto prazo. O cenário é de falta de expectativas e de perspectivas, uma vez que a ausência de investimentos em todos os setores, sobretudo em infraestrutura, não indica recuperação do nível de emprego. Pelo contrário, o temor é de que o prolongamento do período de incertezas torne o quadro praticamente irreversível.

Diante disso, torna-se urgente um novo pacto de união nacional. Como representantes do povo brasileiro, temos a obrigação de priorizar a segurança do cidadão, do trabalhador, do pai e da mãe de família, que não apenas têm de se submeter a uma série de restrições, como também têm que viver a angústia de um futuro sombrio. Lembro, sobretudo, que a conta costuma recair de modo mais brutal sobre a população mais pobre. Assim, não podemos deixar de nos envolver, de modo direto e consistente, em um esforço coletivo de recuperação nacional.

Que cada um de nós, Sr. Presidente, se mantenha sensível e atento às dificuldades que se abatem sobre a população. Vítima maior da inépcia do Governo, que provocou a crise e reúne condições de controlá-la, o cidadão brasileiro tem de saber que conta com o apoio solidário e irrestrito da Câmara dos Deputados.

Muito obrigado!

Sala das Sessões,

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP