Criança refém de adulto irresponsável

Escrito por Assessoria Parlamentar

CRIANÇA MAL CUIDADA É REFÉM DO ADULTO IRRESPONSÁVEL

Meus amigos, o trânsito é o principal causador de morte acidental vitimando crianças e adolescentes no Brasil. Morrem, todos os anos, cerca de 4.500 crianças na faixa etária de 1 a 14 anos. Por dia, perdem-se treze crianças para a violência do trânsito brasileiro. Em 2014, 122 mil foram hospitalizadas, representando custos de R$ 83 milhões para o Sistema Único de Saúde.

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Apenas 10% desses acidentes podem ser debitados à fatalidade. Constituem obra do mau acaso e aconteceriam de alguma forma, enquanto nada menos do que 90% poderiam não ter se consumado.

Bastaria para tanto que houvessem sido adotadas algumas medidas simples, tais como a disseminação ampla e constante de algumas regras básicas que terminam na aplicação da norma legal, mas começam na educação.

Mudanças requerem mudanças, se me permitem dizê-lo desta forma. Os espaços físicos comunitários precisam ser adequados, em nome da segurança: os locais por onde a criança transita, as áreas de brincadeiras, por tal compreendidos parques, ciclovias e praças, o ambiente escolar.

“Crianças formam um grupo vulnerável, especialmente no trânsito.
Locais por onde elas transitam precisam ser adequados, em nome da segurança.”

As crianças formam um grupo vulnerável, em todos os sentidos, e no trânsito, especialmente. O corpo em desenvolvimento as torna mais frágeis. Devido à baixa estatura, não enxergam por cima de carros estacionados e muitas vezes, também, fora do campo de visão dos motoristas, não são percebidos. Sua orientação espacial é limitada. Muitas vezes, não veem um carro em movimento. Se veem, não são capazes de avaliar corretamente a distância, a velocidade e o tempo de aproximação. Não reconhecem o perigo. Além do mais, são naturalmente dispersivas. Afinal, criança é criança.

Em suma, lamentavelmente ainda se morre e se mata muito no trânsito brasileiro, a um patamar de tal violência que precisa ser revertido o quanto antes, se queremos caminhar para um razoável padrão civilizatório.

Povo civilizado, meus amigos, é povo que respeita – respeita o Estado e respeita o próximo, mas principalmente respeita suas crianças para se respeitar a si mesmo.

Antonio Bulhões
Deputado Federal / PRB-SP

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