Conscientização Política do Povo Brasileiro

Escrito por Assessoria Parlamentar

CONSCIENTIZAÇÃO POLÍTICA DO POVO BRASILEIRO

2017-08-01 Conscientizacao Politica do Povo Brasileiro

Tema: Conscientização política do povo brasileiro

Data: 01/08/2017
Sessão: 197.3.55.O
Hora: 18:00

O SR. ANTONIO BULHÕES (PRB-SP. Pronunciamento encaminhado pelo orador.)

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, hoje, em todas as instâncias da sociedade se comenta política. Essa politização, isto é, a consciência política de um povo, é fator fundamental para as democracias.

Não falamos aqui da falsa conscientização presente em países como Cuba, ou, pior ainda, na Coreia do Norte. Nesses países, a opinião popular – e mesmo a opinião do Judiciário e do Legislativo – é direcionada pela doutrinação e pela pressão vindas do Executivo.

Deixemos de lado as ditaduras do proletariado, que gostam de se ver como democracias populares, e falemos da conscientização existente nas democracias liberais. O Brasil, felizmente, é uma democracia liberal. Aqui, prezamos as liberdades ditas burguesas, como a liberdade de opinião e de expressão. Aqui temos uma “democracia burguesa”, isto é, com vários partidos, e não apenas um partido hegemônico. Não temos censura da mídia, nem monopólio da comunicação, nem obrigação de se divulgar a opinião do Governo.

Pois bem, em meio a este ambiente democrático, com uma infinidade de jornais, sites, blogs e meios de comunicação, vimos surgir, nos últimos anos, um acirrado debate sobre o Estado brasileiro. Esse debate não está restrito aos especialistas, mas ele se espalhou por quase todas as famílias brasileiras e, talvez, seja até mais popular do que as discussões sobre futebol hoje em dia.

Se há alguns anos o assunto era o técnico de nossa Seleção Canarinho, hoje até nos botecos populares se discutem as melhores alternativas para sair da crise. Pessoas de todas as classes sociais não se restringem a opinar sobre o Governo, mas dão também opiniões sobre o Legislativo e o Judiciário. Nos bares, assistimos a sessões do Supremo Tribunal Federal e ouvimos opiniões sobre as melhores alternativas constitucionais para resolver a crise.

Isso é muito bom. No entanto, é preciso distinguir a informação verdadeira da informação falsa. Além disso, é preciso diferenciar a informação verdadeira, que é notícia, do comentário do colunista, que é opinião. E uma opinião pode ser tão parcial que acaba se tornando notícia falsa.

Por exemplo: o repórter diz que o Governo renegociou as dívidas com INSS das prefeituras. Essa é a notícia. Mas aí vem a interpretação, de boa ou má-fé, que pode confundir renegociação com perdão e estampar o perdão às dívidas, que é inexistente, como manchete do jornal.

Esse tipo de falsa notícia não informa o que realmente aconteceu. Pode ter sido apenas um alargamento dos prazos, ou diminuição dos juros, como forma de permitir que as prefeituras endividadas não quebrem e paguem suas dívidas em condições mais favoráveis. Favoráveis inclusive para o INSS, que pode ter esperança de receber o que lhe é devido, em vez de perder para sempre a possibilidade de reembolso.

Senhoras e senhores, os antigos já diferenciavam a verdade da opinião. Diziam que a verdade era um ponto e a opinião era uma linha, pois de um único ponto podem sair inúmeras linhas. Hoje, ao assistirmos a “guerra de narrativas” tentando distorcer a realidade, é preciso lembrar que todas essas opiniões não são superiores à verdade. E a verdade não está nas utopias, nem nas infinitas justificativas para o fato de as utopias não funcionarem.

A verdade está nas ruas, na experiência histórica, na responsabilidade com as contas públicas.

Tenho muita esperança, senhoras e senhores, de que a consciência política do povo brasileiro saiba separar as notícias das opiniões sem embasamento e as falsas versões da realidade.

Obrigado!

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP