Combate ao Vírus da AIDS

Escrito por Assessoria Parlamentar

COMBATE AO VÍRUS DA AIDS

2016-12-14 Combate ao virus da AIDS no Brasil

Tema: Combate ao vírus da AIDS no Brasil.

Data: 14/12/2016
Sessão: 333.2.55.O
Hora: 19:58

O SR. ANTONIO BULHÕES / PRB-SP, pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o programa Fala Brasil, da Rede Record, alerta para o fato de que o vírus da AIDS volta a representar perigo acentuado. É certo que os medicamentos usados para tratar o infectado dão-lhe sobrevida que jamais seria esperada pelos soropositivos há poucas décadas. Ocorre que isso não é apenas fato a ser comemorado.

Muitas pessoas estão deixando de se precaver adequadamente e, com isso, o número de infectados aumenta. O fato é que estão cada vez menos frequentes as iniciativas de conscientização. Além disso, a percepção de que é possível viver bem com a doença cresce cotidianamente. Muito em razão desses dois fatores, o temor de contrair o HIV está perigosamente reduzido.

A ironia é que isso tem feito da doença um risco cada vez maior. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a taxa de detecção em jovens entre 20 e 24 anos foi apurada em 2015 no patamar de 33,1 para cada 100 mil habitantes. O número, que mais do que dobrou em 10 anos, é apontado pela Pasta como tendo crescido em boa parte pela menor inserção dos jovens nos serviços de saúde e pela menor adesão ao tratamento.

Ou seja, esses jovens estão contraindo a doença sem fazer o devido tratamento, ampliando as chances de sofrerem morte dramática, ao modo já conhecido há algum tempo. A taxa de óbitos realmente caiu nos últimos 20 anos, mas o número permanece preocupante. Em 1995, foram registrados 9,7 óbitos por 100 mil habitantes, número que passou para 5,6 em 2015. Veja, Sr. Presidente, que a redução sequer chegou à metade.

Além disso, de acordo com o Ministério da Saúde, mais de 800 mil pessoas com HIV foram registradas no Brasil desde o início da epidemia, em 1980, até o final de 2015. Desses, quase 45% ainda não estão em tratamento, e mais de 30% desconhecem que são soropositivos.

O caráter alarmante do quadro fica evidente na caracterização do pesquisador do Departamento de Medicina da USP Alexandre Granjeiro, de que vivemos a maior epidemia de AIDS de todos os tempos. E ele alerta que ainda teremos que conviver com surto de HIV por pelo menos 10 anos.

O pesquisador concebe a situação atual como o ressurgimento de uma epidemia e a causa do fenômeno que indica é, sobretudo, a mudança no comportamento sexual da população.
As novas gerações estão mostrando comportamentos menos seguros que as anteriores, e isso leva o Brasil a ser um dos poucos países em que continua aumentando a população infectada pelo vírus.

Enfim, o caso é muito preocupante. As gerações atuais não estão devidamente informadas sobre os males que a AIDS provoca no organismo. Filmes como Filadélfia e casos reais como o de Cazuza são excelentes para despertar a necessidade de precaução contra a moléstia. No entanto, estão muito longe da consciência do cidadão brasileiro.

O País é recordista em gastos públicos com o tratamento da moléstia, quando se poderia poupar montante precioso investindo-se em campanhas de conscientização. Tudo indica, Sr. Presidente, que é ocasião simplesmente de dar voz ao ditado popular. Afinal, prevenir é sempre melhor do que remediar.

Muito obrigado.

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP