Aumento da Obesidade no Brasil

Escrito por Assessoria Parlamentar

O AUMENTO DA OBESIDADE NO BRASIL

2017-05-23 Aumento da obesidade

Tema: Aumento da obesidade entre a população adulta brasileira. Relevância da Estratégia de Saúde da Família na atenção ao paciente obeso.

Data: 23/05/2017
Sessão: 128.3.55.O
Hora: 16:10

O SR. ANTONIO BULHÕES / PRB-SP, pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a prevalência da obesidade vem aumentando entre adultos, tanto nos países desenvolvidos quanto naqueles em desenvolvimento. A Organização Mundial da Saúde – OMS estima que pelo menos 1 bilhão de pessoas apresente excesso de peso, das quais 300 milhões são obesas.

A Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e adotada como um dos parâmetros do Sistema Único de Saúde – SUS para suas estratégias de ação, aponta aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade no Brasil, que passam a atingir aproximadamente 49% e 15% da população, respectivamente. Ao longo dos últimos 34 anos, o sobrepeso entre homens aumentou em três vezes e entre mulheres, em duas vezes.

Tomado o período de 2006 a 2016, a população obesa aumentou em 60%, passando de 11,8% para 18,9% da população brasileira, algo como 36 milhões de pessoas. A população com sobrepeso aumentou de 42,6% para 53,8%, sendo os homens os mais atingidos.

Esses são dados muito ruins. Eles nos levam à percepção de que a mazela da desnutrição, terrível e secular, está dando a vez, no Brasil, a uma nova mazela, igualmente terrível. O crescimento do número de obesos é tão vertiginoso que já se tornou objeto de preocupação das autoridades de saúde, com extensão à área social.

Não me refiro aqui a ocorrências de ordem genética ou endócrina, pois essas sempre existiram. O que ora surge como agravante é a associação dos quadros da doença à adoção de hábitos alimentares inadequados e ao sedentarismo.

De fato, a automação trazida com a tecnologia tornou-nos todos menos ativos do que foram nossos pais e avós. Por outro lado, a pressa da vida moderna tem levado os indivíduos a consumirem cada vez mais alimentos processados, energeticamente densos, ricos em açúcares, gorduras e sódio. Em prejuízo da boa saúde, o brasileiro trocou o velho “feijão com arroz” por dietas ricas em calorias “vazias”, a chamada fast food.

Caracterizada principalmente pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, a obesidade é uma doença crônica, grave e letal, que predispõe a comorbidades, entre as quais as de ordem musculoesquelética, cardiovascular e cerebrovascular, além de diabetes, câncer e hipertensão arterial. Só os registros de portadores de diabetes aumentaram em 61%, enquanto os de hipertensão cresceram em 14,2% nos últimos 10 anos. A obesidade está também na origem de distúrbios lipídicos, infertilidade e apneias.

Trata-se de um mal silencioso. O indivíduo obeso não apresenta sinais ou sintomas diretos, salvo limitações estéticas, até atingir condições críticas – algumas, extremas – de mobilidade, capacidade para o trabalho e a vida. Casos há, e não são poucos, de obesidade mórbida, que requerem, portanto, atenção redobrada.

De qualquer maneira, combater – e, antes disso, prevenir – o sobrepeso e a obesidade exige medidas complexas, com atuação articulada das diversas políticas públicas, quer na área da saúde, quer na área social. O problema se situa igualmente em âmbito econômico, tendo em vista que a incapacitação para o exercício profissional passa a representar também uma sobrecarga para o Estado.

O SUS cumpre um papel preponderante no que diz respeito não apenas ao tratamento, mas à prevenção. Cabe-lhe, entre diversas ações, promover a conscientização em torno da importância da alimentação saudável, bem como da atividade física regular. Nas boas práticas cotidianas pode estar a diferença entre viver e não viver – ou, pelo menos, entre viver com qualidade e apenas viver.

Nesse sentido, a informação constitui arma crucial, sobretudo quando se considera que, por um fenômeno relativamente recente, as camadas menos favorecidas e menos esclarecidas da sociedade tornaram-se grandes vítimas da obesidade. Urge incluí-las nas rotinas dos serviços de saúde da atenção básica.

Louve-se, por necessário, a atuação da Estratégia de Saúde da Família na atenção ao paciente obeso, com ênfase no manejo alimentar e nutricional. A ação se apresenta como uma abordagem integral e humanizada do paciente com excesso de peso, enfatizando a prevenção e tratamento, quando indicado, daquelas doenças consideradas crônicas, não transmissíveis e colaterais à obesidade.

Em face dos números, porém, ainda há muito a ser feito. O trabalho precisa ser intensificado e priorizado. É esse o meu apelo.

Em meio a tantas demandas, não nos esqueçamos desta, por sua importância e urgência.
Vamos dizer “não” à epidemia da obesidade!

Muito obrigado.

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP