A Pobreza e a Criminalidade

Escrito por Assessoria Parlamentar

A POBREZA E A CRIMINALIDADE

2017-02-20 Pobreza e Criminalidade

Tema: Repúdio ao posicionamento de intelectuais em defesa da existência de vínculo entre a pobreza e a criminalidade.

Data: 20/02/2017
Sessão: 012.3.55.O
Hora: 19:14

O SR. ANTONIO BULHÕES / PRB-SP, pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Brasil atravessa tempos difíceis. A mídia está recheada de notícias acerca da corrupção generalizada, da crise prisional, do gerenciamento inadequado de instituições públicas.

O sentimento que se colhe da população em geral ecoa descontentamento, angústia e desesperança. O que esperar do futuro? Como confiar nos governos? Está a sociedade brasileira totalmente órfã em seus anseios, desejos e necessidades?

Nesse contexto, considerando que o Brasil ainda está inserido entre os países em desenvolvimento, a despeito do tamanho continental e da riqueza de recursos, desejo me posicionar, de forma veemente, contra o posicionamento de diversos de nossos intelectuais que defendem estreita, consequente e inevitável relação entre pobreza e marginalidade.

Ora, trata-se de postura no mínimo romântica, afinal, a ser assim, todas as pessoas pobres estariam condenadas a se tornar marginais, destino fatídico que atravessaria até mesmo gerações. Nesse caso, estaria mantida a condição de pobreza, que, por sua vez, seria difícil de vencer em razão das condições do submundo da marginalidade. Enfim, o círculo vicioso estaria consolidado – impossível de ser quebrado -, e o Brasil restaria confinado à situação de país de terceiro mundo ad eternum.

Como afirmei, é postura romântica, para não dizer ingênua ou, falando francamente, até mesmo mal-intencionada.

Veja-se que boa parte desses mesmos intelectuais que gastam tempo em defender tal opinião não sabem, nem de longe, o que é a pobreza de fato. Talvez se comovam com as matérias bem editadas constantes de notícias ou documentários que fazem bastante sucesso no exterior porque apresentam as peculiaridades socioculturais do povo brasileiro.

Talvez se deixem levar pela utopia de paladinos que escreveram, em priscas eras, extensas obras de crítica social em tom até revolucionário, mas que pouco trazem de realidade do cotidiano e, principalmente, da natureza humana como ela de fato é.

Sras. e Srs. Deputados, se desejamos ser verdadeiramente honestos, precisamos reconhecer que pobreza e marginalidade não estão imbricadas de modo decisivo e irrevogável.
Será que todas as pessoas de menor poder aquisitivo, em razão dos parcos recursos que possuem, necessariamente lançam mão da criminalidade, da violência, da afronta à sociedade de bem, a fim de sanar a escassez em que vivem?

Acredito que a conexão caminha em outra direção: marginalidade, de fato, está ligada à cultura da malandragem, de desejar as coisas pela via mais fácil. Acresça-se a isso a derrocada dos valores familiares, que não estão mais sendo passados de geração a geração, seja de modo consciente ou não. Resta, assim, enfraquecida a construção de caráter e de consciência do coletivo.

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, querer atrelar tal ausência de princípios morais positivos à condição de pobreza constitui uma das maiores injustiças. Muitas pessoas levam uma vida de modestas condições e são incapazes de furar uma fila.

Aos intelectuais encastelados em seu saber e arrogância, recomendo que desçam do pedestal em que eles mesmos se colocaram e tomem uma dose de realidade, vivendo, ainda que por pouco tempo, junto aos brasileiros e brasileiras menos favorecidos desta Nação, cidadãos de bem, honrados e dignos, merecedores de nosso devotado respeito e total admiração.

Muito obrigado!

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP