A Intransigência dos Progressistas

Escrito por Assessoria Parlamentar

A INTRANSIGÊNCIA DOS PROGRESSISTAS

Tema: Críticas à intransigência de progressistas na defesa de sua ideologia.

2016-03-09-intransigencia-dos-progressistas

Data: 09/03/2016
Sessão: 032.2.55.O
Hora: 14:26

O SR. ANTONIO BULHÕES / PRB-SP, pronuncia o seguinte discurso:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, havia uma época em que conceitos precisos estavam limitados às ciências duras como a matemática e a física. Nas ciências morais e sociais, o fundamento vinha de princípios e não de leis. Leis em ciência têm um significado permanente e podem ser medidas com fórmulas matemáticas.

No campo dos sentimentos morais, aquele que tem a pretensão de inaugurar um comportamento só mesmo pode fazer uso da persuasão para transformar em vencedora a tese de preferência. Usar a habilidade retórica é a chave para dar ares de ciência àquilo que é apenas ideologia.

Apresentada a ideologia como dogma, como aquela mostrada pela revista Veja, os autores surgem como os novos guias morais da humanidade. Há muita vaidade e pouca tolerância com as opiniões divergentes. Não raro desprezam o interlocutor, acusando-os de atrasados conservadores e preconceituosos.

Acusam porque têm a pretensão de conhecer todos os segredos do mundo. Apresentam soluções simples para problemas eternos, desde que todos os outros obedeçam a sua moral. Sempre são cheios de certezas e se acham autorizados a dizer o que devemos fazer, com quem devemos ter amizade e até o que comer.

São pessoas que se dizem intencionadas pelo bem, mas desprezam os valores humanos que trouxeram a nossa sociedade até aqui, como se a ideologia deles pudesse fazer tábula rasa de todo o conhecimento acumulado em séculos de convívio.

Mas logo percebemos a fraqueza retórica. Consideram-se muito tolerantes e arejados, mas quando são contestados, são severos com quem os desafia, ou expressam aquele olhar de falsa piedade, como se o interlocutor fosse um alienado, ou um fascista. Dizem pregar a tolerância, mas chamam de intolerantes quem discorda deles. Para eles, a tolerância é apenas a própria ideologia.

Acham tolerante pregar a liberação das drogas e acusar a polícia, mas não sabem responder quando perguntados quem pagará o tratamento do dependente quando ele não puder sustentar-se, como também não têm resposta quando os conservadores perguntam se o militante da ideologia estaria disposto a dar sustento ao dependente ou se pretende transferir a responsabilidade para os pagadores de impostos.

É preciso dizer: tolerantes são aqueles que não carregam a certeza das ideias. Tolerantes são os humildes, que, por princípio, cogitam estar errados. Mas essa não é a atitude deles. Eles têm tanta certeza de que estão certos que os outros é que devem ir a eles.

É justamente contra essa postura autoritária que nós, os conservadores, demonstramos o nosso ceticismo. Como poderemos ter certeza de algo que ainda não se fez? Esse é um tipo de prudência que falta aos progressistas. Eles têm certeza de que têm o conhecimento prévio da vida.

Vejam quando defendem o aborto. Explicam que é a mulher quem deve decidir, porque o corpo é dela e também porque ela sabe as dificuldades que terá para criar o filho. O futuro para a retórica dos progressistas já é um tempo acontecido. O futuro já estaria escrito, e eles podem lê-lo.

Ocorre que a vida prática e verdadeira é um choque para os que acreditam que o progresso pode ser feito sem a tradição dos valores humanos. Quando consideram apenas a vontade da mulher para justificar o aborto, mais fácil se torna a retórica. Quando se tem o caso de uma mulher tuberculosa que engravidou de um homem sifilítico, esse seria um caso exemplar para classificar o aborto de imperioso. Se essa verdadeira mulher tivesse decidido abortar, porque ela poderia fazer as regras, o mundo teria sido impedido de ouvir as sinfonias de Beethoven.

Alguém poderia dizer que esse exemplo isolado não pode justificar o todo. É verdade, mas ele é capaz de demonstrar que a pretensão dos progressistas de dizerem o futuro é falsa. Como eles podem afirmar que uma vida nascida na dificuldade não terá um futuro? Alguma mulher grávida poderá dizer que a vida dela é mais difícil que a da mãe de Beethoven?

Ninguém pretende negar a dificuldade ou a insegurança que as pessoas sentem. O que pretendemos é destacar que os valores que nos trouxeram até aqui permanecem válidos, e devemos ter a prudência de preservá-los, porque nos fortalecem. Afinal, não podemos saber o que seria posto no lugar deles.

Muito obrigado.

Sala das Sessões,

ANTONIO BULHÕES
Deputado Federal / PRB-SP