A corrupção e a cultura.

Escrito por Assessoria Parlamentar

A corrupção e a cultura.

O Brasil periodicamente é despertado por mais um escândalo de corrupção. Sempre se repete. Parece que carregamos um destino. A divulgação dos escândalos, ao invés de provocar lições sobre a imoralidade das ações criminosas, parece que tem a função de entreter o tempo do jornal.

A causa é muito abrangente e complexa, mas toda ela passa por algo que podemos chamar de cultura. O sentido de cultura não é aquele objeto que se pode pegar com a mão ou que se assiste no cinema ou no teatro. A cultura seria a síntese da interação de toda arte com os valores que formaram a nação.

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A própria arte da ironia transformou uma propaganda antiga de cigarro no modo mais conhecido de ser do brasileiro: aquele que quer levar vantagem em tudo. Daí é direto sermos o povo conhecido como aquele que sempre dá um jeitinho em tudo.

A consequência desse caráter lúdico faz que se demore a conquistar a confiança. A desconfiança é o sintoma mais sentido na nossa sociedade. Como confiar em alguém, quando se pode dar um jeitinho no que foi prometido?

“A cultura, ao ensinar que as circunstâncias sociais justificam o ato, transforma o agente em um ser mimado, que pode tudo. Basta ver o jovem engajado reclamando dos políticos enquanto estaciona o carro numa vaga exclusiva para idosos ou deficientes.”

A cultura que vai se formando faz das circunstâncias o protagonista. Quando um médico foi morto a facadas enquanto passeava de bicicleta, um jornal do Rio de Janeiro estampava na primeira página: Duas tragédias antes da Tragédia: Sem família e Sem escola.

A cultura dos modernosos nos transmite que a culpa é da sociedade e do governo por não ter dado cuidado ao assassino. O jornal apenas não noticiou que o criminoso morava com a mãe em um imóvel próprio do programa Minha Casa – Minha Vida e recebia bolsa família. Frequentava a escola e treinava judô. O assassino era um total assistido pela sociedade.

Quando se lê os jornais não se capta da reportagem referência à responsabilidade individual pelos atos.

A cultura à que estamos submetidos vai transformando o nosso campo das ideias. Mas os ideólogos não cogitam que o comportamento humano não pode ser explicado sem a referência ao significado que as pessoas dão aos próprios atos.

Acontece que significados são elaborados a partir da cultura. Por isso temos que procurar formar uma cultura que não deturpe o significado do que é corrupção moral na sociedade.

Antonio Bulhões
Deputado Federal / PRB-SP

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